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Ex-goleiro Jefferson, ídolo do Botafogo, declara: 'Racismo é um ato de covardia'

EsportesEx-goleiro Jefferson, ídolo do Botafogo, declara: 'Racismo é um ato de covardia'



Não apenas no mundo do futebol, mas na sociedade de maneira geral, é raro vermos pessoas negras atuando em cargos de liderança e de confiança. Seja em empresas ou em clubes, o povo negro atua em posições de subordinação. Sem desprestigiar as funções de segurança ou faxineiro, os negros sabem que podem muito mais.

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Nesse cenário, Jefferson, um negro retinto, se consolidou como goleiro de um dos maiores clubes do Brasil, o Botafogo. Através de grandes atuações pelo Glorioso, chegou a defender as cores da Seleção Brasileira.

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No entanto, se engana quem imagina uma trajetória fácil. A posição de goleiro é a mais importante dentro de um jogo de futebol. É preciso que o arqueiro, mais do que ninguém, seja uma peça confiável para que o sistema funcione bem. Nesse panorama, é possível imaginar quais foram os principais dramas de um goleiro negro no futebol brasileiro.

Jefferson ao lado dos goleiros Júlio Cesar e Diego Cavalieri após o título da Copa das Confederações de 2013 | Getty images Jefferson em ação com a camisa do Botafogo | Getty Images Vini Jr é uma das principais estrelas do Real Madrid | Getty Images Jefferson dando autógrafos para fãs na Seleção Brasileira | Getty Images

Ídolo do Botafogo e com passagens pela Seleção Brasileira, Jefferson é mais um exemplo de superação dentro do futebol. Em entrevista exclusiva para a TNT Sports, o ex-jogador falou sobre casos de racismo no Brasil e no mundo, elogiou Vini Jr e contou como quase ficou de fora de um Mundial apenas por ser negro.

Eu, que já tive ali dentro do futebol, acabei escutando que às vezes os clubes são pouco culpados nesse sentido (de não possuir negros em cargos de liderança). Porque eles acabam não querendo um treinador negro para não se expor. É um pensamento pequeno, é um pensamento muito muito pobre, de não ter não pensar no profissionalismo, não pensar no caráter da pessoa, mas sim naquela coisa: ‘Ah, eu vou me expor! Em qualquer derrota vão criticar o treinador porque ele é negro. Então é melhor nem arriscar, né?’ Então acho que parte daí também, mas eu tô vendo um crescimento muito grande da nossa classe, com grandes jogadores. Mas eu ainda gostaria de poder ver em outras modalidades a raça negra mostrando seu potencial.”

“Eu sempre defendo a competência e a qualidade da pessoa, independente da cor ou da raça. Mas o que eu vejo são muitas pessoas ficando de fora, pela cor e não pela competência. Então você vê muitas pessoas que têm qualidade, pessoas que têm potencial, pessoas que têm talento, porém, na hora de de ter uma oportunidade no mercado, de ter uma oportunidade em um clube, tem essa barreira, tem esse esse preconceito, tem essa dificuldade. Eu senti na pele. Eu costumava dizer que enquanto as pessoas tinham que matar um leão, eu tinha que matar dois, três por dia para poder realmente sobressair e mostrar o meu talento. É o que a gente sente na pele e isso não é somente no esporte. No dia a dia a gente vê aí a dificuldade. Vemos pessoas negras talentosas, pessoas negras que tem um profissionalismo excelente, mas, na hora da escolha, infelizmente entra o preconceito, o racismo, e acaba tirando a oportunidade dessas pessoas.”

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Jefferson em ação com a camisa do Botafogo | Getty Images Vini Jr é uma das principais estrelas do Real Madrid | Getty Images Jefferson dando autógrafos para fãs na Seleção Brasileira | Getty Images

Somando 445 jogos com a camisa do Botafogo e 22 partidas com a camisa do Brasil, hoje, Jefferson hoje atua como empresário e nunca se desvinculou do mundo do futebol. Sob outra perspectiva, mas sabendo como é sofrer o preconceito na pele, o ex-goleiro elogiou a postura de Vini Jr diante de todo preconceito que vem sofrendo na Espanha.

“O Vini Jr é um garoto de muita personalidade. É um cara que é abençoado, um cara que tá levando o seu futebol para o mundo. E hoje a gente pode também já dizer que ele tem um chamado para representar a nossa classe. Ele é um cara que tem muito conhecimento e já tem muita personalidade. E eu vejo o racismo como o último ato de uma pessoa de atingir o seu próximo, de atingir com covardia. O Vinicius Junior é um jogador que dispensa comentários. Hoje, para poder atingir ele dentro de campo é basicamente impossível, então as pessoas vão pelo racismo, pelo preconceito. Ele é um garoto que não tá deixando se abalar e tá representando muito bem.”

Vini Jr é uma das principais estrelas do Real Madrid | Getty Images Jefferson dando autógrafos para fãs na Seleção Brasileira | Getty Images

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Após lembrar da perseguição racista sofrida por Vinicius, Jefferson recordou quando quase ficou fora de um Mundial pela Seleção Brasileira simplesmente por ser um goleiro negro.

“Eu quase fiquei fora de uma convocação da Seleção Sub-20 porque tinha uma pessoa ali dentro da seleção, que basicamente vetou a convocação de goleiro negro. Recebi uma ligação de uma pessoa ali de dentro dizendo que o treinador me queria ali, mas tinha uma pessoa ali dentro que não liberou a convocação para goleiro negro. Tudo porque teve aquele episódio do Barbosa, na Copa de 50. E essa foi uma das frases que mais me doeu, quando o Barbosa falou o seguinte: ‘Eu fui o único brasileiro a ser condenado à prisão perpétua aqui no Brasil por aquele erro na Copa de 50’. Isso aí é muito forte, né? E então, na realidade eu não fui convocado para para o Mundial, mas todos do elenco foram convocados, mas não teve Mundial, tiveram que cancelar o Mundial porque tava tendo guerra onde ia ter a competição. E aí eles passaram a competição para o final de 2003.”

Eu estava no Botafogo em 2003, recebi ligação perguntando se eu queria voltar e para saber como é que eu tava pra voltar para seleção. Eu falei ‘claro!’. Então essa pessoa me disse: ‘Agora a gente pode fazer o que a gente quer fazer, porque naquela época a gente foi vetado de te convocar porque tinha uma pessoa acima da gente que disse que não poderia convocar nenhum goleiro negro’.”

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“E aí eu fui para o Mundial. Na época fomos eu e o Fernando Henrique. Eu respeito muito meus companheiros. Ele (Fernando) começou jogando o mundial e, no meio da competição, o treinador me colocou de titular e a gente acabou se consagrando campeão em cima da Espanha. E aí eu tava comemorando ali e veio esse diretor que tinha me ligado e falou: ‘Cara, eu queria que esse cara estivesse vendo agora! A gente foi campeão mundial com o goleiro negro jogando!’. Esse foi um episódio que me marcou muito. Eu tinha 20 anos. E para mim eu achava que não existia isso aí. Que era uma coisa que acontecia às vezes no dia a dia, mas não em um clube, não em uma Seleção. E eu não culpo a CBF, mas esse pessoa que tava ali, para deixar bem claro.”

Esse foi um episódio muito forte, mas eu usei esse episódio como uma força de dentro, eu sabia que eu tinha que matar dois, três leões por dia, enquanto outras pessoas às vezes tem que matar um e olha lá ainda, né? Então eu peguei isso aí como uma força interior para poder vencer na vida.”


 

Dida, em 2006, foi o primeiro goleiro negro a se firmar na Seleção Brasileira após a Copa do Mundo de 1950. Naquela final, Barbosa foi martirizado e punido com “prisão perpétua”, como ele mesmo definiu.

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Jefferson foi um dos poucos goleiros negros que teve a oportunidade de defender o Brasil desde então.

Jefferson dando autógrafos para fãs na Seleção Brasileira | Getty Images

“Eu acho que ser um goleiro negro tem um peso maior sim. Porque eu acho que as posições que são mais aparentes, vamos dizer assim, como um goleiro, um treinador ou um apresentador, eu acho que tem esse preconceito e eu acho que vai dos clubes e vai das instituições de não se acovardarem com o que as pessoas vão dizer futuramente. Hoje eu sou empresário e quando eu vou fazer uma contratação, eu não me preocupo com a raça com a cor, eu quero saber do profissionalismo, da competência. Agora, se eu olhar assim: ‘Ah, eu não vou colocar essa pessoa negra aqui porque daqui a pouco vai chegar um cliente que vai pensar assim…’. Então acho que tem que ter mais profissionalismo e deixar essas pessoas realmente brilharem por si só.”

O empresário ainda pontuou sobre a evolução lenta no combate ao racismo. Para o ex-goleiro, as medidas tomadas são pouco enérgicas e com baixa eficácia.

Eu acho que tá caminhando sim, mas está caminhando a passos lentos. Às vezes acontece um episódio no estádio de futebol, e eu acho que se a sociedade realmente quiser mudar esse jogo, acho que não tem nem que ter um VAR pegando uma coisa dessas não. A própria pessoa do lado já tem que denunciar essa pessoa. Eu acho que se a sociedade realmente quiser mudar isso, muda! Mas eu acho que as pessoas estão com medo, com receio.”

“Eu vejo que vários clubes se manifestam sim, quando acontecem os episódios de racismo, principalmente dentro do estádio, só que a questão é o seguinte, muita das vezes essa manifestação não é para melhorar e sim para se defender. No sentido de: ‘Olha, estamos fazendo alguma coisa, solta alguma nota e tal’. Então hoje a gente vê os clubes passando por isso, você vai ver dentro de um estádio de futebol algumas coisas meio que: ‘Contra o racismo! Se denuncia aqui, denuncia ali!’ e a gente vai ver só os jogadores entrarem com uma faixa e acabou. A faixa é jogada no canto e vida que segue. Eu acho que tem que ser um pouco mais enérgico. Acho que as coisas tem que ir muito lá na raiz. Acho que a gente tá muito superficial. Acho que as coisas tem que ser lá mais na raiz, tem que entrar essa pauta também dentro das escolas e das universidades.”

Jefferson ainda deixou uma mensagem de apoio e um pedido de amor para vencer o preconceito racial na sociedade brasileira. Confira o vídeo:


 



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